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Postado em 08/10/2018 3:03

O Bolsonaro e a moral de um “comedor de gente”: que Civilização!

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Esse texto eu fiz para Pastores e Padres que defendem a “Família Brasileira” e os bons costumes.

Marconi Moura de Lima Burum*

Eu sou Católico, praticante. Mergulhei num dos maiores exercícios de frustração da minha vida [enquanto ativista social e também cristão] ao ver/ouvir alguns Padres defendendo o Bolsonaro. E não é porque seja uma percepção anti-democrática de minha parte. Não! Trata-se do Discurso, da Narrativa desses defensores da Fé. Ora, se falam do mesmo Cristo que eu conheci – por meio deles desde a minha infância – então só pode ser, de sua parte, uma esquizofrenia exacerbada, ou hipocrisia crônica quanto ao “uso” do nome de Deus. Srs. Padres, Pastores, lamento lhes avisar, mas o Bolsonaro não é o exemplo, o modelo de Homem de Família que vocês desejam.

Vamos aos fatos.

O “salvador” da pátria que alguns religiosos defendem é o mesmo que passou pela seguinte situação um tempo desses. Entrevistado pelo jornal Folha de S. Paulo, quando perguntado pela repórter se era correto receber o malfadado Auxílio Moradia, sendo que Bolsonaro é Deputado Federal há 27 anos e possui residência em Brasília, #Ele afirmou que seu apartamento “era pra comer gente”. Ora, os Padres e Pastores vão aceitar isso: um futuro presidente da República que trai sua concepção de Família e de Moral, e ainda usa dinheiro público para “comer gente”?

O seu “messias” não é o meu Messias, tenha certeza!

Talvez você acredite que o cara defenda a Família brasileira porque ele esteja no terceiro casamento, e seus filhos sejam distribuídos com as três esposas (embora eu não ache isso um crime, mas a Igreja que frequento rotineiramente defende apenas um matrimônio, ou não é?).

Defensor da Família é quem usa verba pública de gabinete para ter funcionários fantasmas (a exemplo da Wal, de Angra dos Reis, que segundo o próprio Deputado Bolsonaro, recebia salário da Câmara para cuidar dos seus cachorros na casa de praia)?

Defensor da Família é ter uma equipe de conselheiros (como seu vice-presidente e seu guru econômico) querendo acabar com o 13º salário e as férias dos trabalhadores, e fomentar ainda mais a desigualdade com sua proposta para um “novo” imposto de renda em cujo pobre paga mais? (É fundamental que voltem a ler o Livro de Tiago, na Bíblia, para entender mais o que os primeiros cristãos pensavam sobre os pobres.)

Sinceramente, eu não duvido que Bolsonaro – assim como a maioria dos Deputados Federais – tenha recebido “mensalão” do Presidente Temer para votar contra os trabalhadores na Lei da Terceirização e na Reforma Trabalhista. Ah, Padre, o Sr. não sabia que o seu candidato votou nessas leis que estão sangrando o povo brasileiro?

Também não duvido que ele tenha recebido algum benefício para, mesmo sabendo que o povo sofreria com menos dinheiro para a Saúde Pública, para as Universidades, e para todos os direitos sociais, quando ele, Bolsonaro, votou favorável à Emenda Constitucional nº 95, que congela estes investimentos por 20 anos. Aposto que o Pastor também não sabia dessa informação.

Pesquise! Pare de ser marionete do Sistema. Basta digitar em sites de busca e conseguirás um arsenal de informações (para não pensar que minto a ti, como teu candidato mentiu).

Concorda que um Líder Religioso tem por dever sagrado orientar o fiel ao caminho das benções e não da maldição. Pois bem, de todas as desgraças que representa um Padre ou Pastor defender Bolsonaro, o mais triste é ao que vou chamar de Ignorância Civilizatória. Imagino que nas igrejas em que vocês dirigem a Palavra de Deus seja coerente buscar a Justiça ao bem das pessoas, da sociedade. Então pergunto: qual é o projeto de desenvolvimento de seu candidato? É ensinar criancinhas a atirar – como ele fez naquele evento em Goiânia (20 de julho último), em cujo gesto me marcou sobremaneira, pois tenho duas filhas pequenas, e jamais aceitaria que minha filha pudesse ser tocada como tocou o Bolsonaro naquela criaturinha de Deus ao propor às pessoas ali que todos devem ter sua arma em casa para se defender dos bandidos.

Como se incentivar violência fosse o capítulo histórico de solução dos problemas de insegurança de uma nação.

Lamento que alguns Padres e Pastores não saibam que o que combate a violência é tirar os jovens da ociosidade. Ou seja: desde criança colocar nossos filhos para praticar esportes, cultura, ensino de computação, formação tecnológica etc. Isso é o que um governante deve propor para minhas duas filhas e para todos os filhos brasileiros. Não tocar com suas mãos sujas de sangue minhas pequenas e ensiná-las a atirar com arma de fogo (da TAURUS, a maior empresa de guerra do Planeta – que esse Parlamentar tanto defende). Ou se pensa nisso, ou o Caos Civilizatório!

Desde criança sou orientado na Igreja a praticar o bem; a testemunhar a Fé de Cristo. E espero que esses Padres e Pastores – alguns bem famosos na televisão – não caiam na desgraça que Jesus pautou como Seu maior conselho aos líderes religiosos, a saber: “Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus” (Bíblia Sagrada, em Mateus, 7, 21), são as palavras do Cristo, que segue reiterando:

“Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus, 7-23).

Marconi Moura de Lima Burum

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