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Postado em 30/10/2015 10:47

No Paraguai, milhares de camponeses protestam contra Cartes e pedem renúncia do presidente

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Redação | São Paulo – Opera Mundi
Trabalhadores rurais criticam repressão do governo e denunciam monocultivo que os expulsam de suas terras, obrigando-os a migrar para centros urbanos

“Com a política de Cartes são repartidas migalhas e repressão ao nosso povo. Pedimos a renúncia de Cartes e toda a linha sucessória do governo. Pedimos uma transformação política”. Assim o líder camponês Marcial Gómez explicou à rádio 780 AM as motivações para a marcha de camponeses realizada nesta quinta-feira (29/10) na capital paraguaia Assunção que, entre as demandas, pede a renúncia do presidente Horácio Cartes.

Reprodução/Facebook

Marcha teve início nas primeiras horas do dia

Organizada pelo Partido Paraguay Pyahura (“Paraguai novo”, em língua guarani), a marcha que partiu de diversos pontos do interior do país e se somou, em Assunção, aos trabalhadores rurais que estão há cinco dias acampados no centro para protestar contra as políticas implementadas pelo presidente Horácio Cartes

Eles também criticam a monocultura, principalmente de soja, cultivada por grandes latifúndios que, segundo eles, está obrigando os trabalhadores a deixar suas terras e migrar para centros urbanos.

Reprodução/Facebook

Trabalhadores usaram caminhão e ônibus para chegar à capital

“Precisamos de uma pátria onde não haja narcopolítica, onde não haja terrorismo de Estado, onde não haja latifúndio, e onde haja saúde, educação, trabalho, moradia, soberania e respeito aos princípios nacionais de nosso país”, afirmou o secretário-geral do Paraguay Pyahura, Eladio Flecha, em declarações à Prensa Latina.

Questão da terra

No Paraguai, quase 30% do território cultivável é destinado à soja transgênica e há mais de 30 mil camponeses sem-terra em luta por reforma agrária.

Reprodução/Facebook

Parte do grupo está acampado há cinco dias em Assunção

A população rural também é a mais empobrecida devido ao fato de o Estado não prover essas regiões com serviços básicos como saúde, educação e infraestrutura, além da diminuição da fertilidade dos solos (devido à monocultura e outras práticas degradantes), a exclusão social, econômica e cultural e a concentração de terras — uma das maiores do mundo, como aponta a pesquisadora paraguaia Marielle Palau.

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