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Postado em 18/05/2016 6:25

Mudança de governo deve acontecer com eleições, não com um golpe, diz Roberto Requião em Lisboa

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Parlamentares latino-americanos foram recebidos por movimentos sociais portugueses em Lisboa nesta terça-feira (Coletivo Andorinha)

Marana Borges | Lisboa – Opera Mundi

Em Portugal para reunião da EuroLat, senador pelo PMDB criticou governo interino de Temer, cuja política econômica ‘é feita na sala de um banco’, declarou

No segundo dia do encontro da EuroLat (Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana), que reúne 150 parlamentares europeus e latino-americanos em Lisboa, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) fez duras críticas a Michel Temer, líder de seu partido e presidente interino do Brasil desde a última quinta-feira (12/05), expressando ressalvas ao afastamento da presidente brasileira, Dilma Rousseff, e ao projeto de Temer para o país.

A mudança de governo, disse Requião, deveria ser conseguida “com eleições e uma ampla participação, e não com um golpe, onde a política econômica é feita na sala de um banco”, declarou a jornalistas durante uma conferência de imprensa.

Requião, que é presidente da ala latino-americana da EuroLat e pertence ao mesmo partido de Michel Temer, comparou a nova política econômica do presidente interino às reformas liberais que levaram a Grécia a disparar a dívida pública após o resgate financeiro. “Este não é o caminho para retomar o crescimento”, afirmou.

O ex-governador do Paraná está em Lisboa junto com uma comitiva de senadores brasileiros que angariou o apoio de parlamentares europeus e latino-americanos na condenação da destituição de Rousseff.

Os brasileiros e seus pares foram recebidos na noite desta terça-feira (17/05) por portugueses na Casa do Alentejo, famosa associação regional no centro histórico de Lisboa, em um ato de solidariedade à América Latina que reuniu centenas de pessoas. Houve uma preocupação geral pela virada neoliberal de vários países do continente nos últimos meses.

Em entrevista a Opera Mundi, Arménio Carlos, presidente da CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), maior central sindical portuguesa e uma das organizadoras do evento, classificou o possível impeachment de Dilma de um “ajuste de contas com a distribuição da riqueza e com o combate à pobreza” iniciados no governo Lula e conclamou os trabalhadores brasileiros a resistir.

“É preciso reconhecer também os acertos de um governo [Rousseff] que soube incluir as minorias”, disse o brasileiro Rômulo Gois, ativista do Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa, também presente no ato.

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