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Postado em 11/04/2018 11:29

Após quase um ano, Aécio depende de cinco ministros para começar a ser investigado

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Foto: Agência Senado
Jornal GGN – Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidem na próxima semana se tornam o senador Aécio Neves (PSDB-MG) réu de desdobramento da Lava Jato, acusado de corrupção ao receber R$ 2 milhões e por obtruir a Justiça, no andamento das investigações.
As acusações partiram da delação do próprio empresário Joesley Batista, dono da J&F, que teria repassado o montante ao tucano. Aécio alega que o dinheiro foi um “empréstimo pessoal”. Mas a conversa entre o político e o empresário, divulgada há quase um ano, denotam outro tom, o da prática dos crimes narrados por Joesley.
Por isso, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, vem contestando as teses da defesa do tucano. No di 27 de março, Dodge apresentou a réplica aos argumentos e reiteirou, pela terceira vez, o pedido para que o Supremo receba integralmente a denúncia contra Aécio.
Para a procuradora, fica clara a “vantagem indevida”, “quando o senador afirma que a pessoa que iria receber as parcelas deveria ser alguém ‘que a gente mata antes de fazer delação’. Além disso, a forma como os valores foram entregues, em dinheiro, com utilização de artimanhas para dissimular o seu recebimento (inclusive com a parada do veículo que os transportou em local sem qualquer registro de câmeras, conforme detalhado pelas autoridades policiais em seus relatórios), também demonstram a ilicitude da transação”, reafirmou.
No mesmo processo, são acusados Andréa Neves da Cunha e Frederico Pacheco de Medeiros, irmã e primo de Aécio, respectivamente, e o ex-assessor do senador Zezé Perrela (MDB-MG), Mendherson Souza Lima.
O crime, segundo a PGR, seria contra a administração pública, ao se tratar de uma prática parlamentar com Joesley. Aécio Neves também é acusado de tentar “diversas formas” para atrapalhar as investigações em processo, por meio de pressões junto ao governo federal, à Polícia Federal para escolher delegados que conduziam as apurações e com articulações parlamentares.
Entre os exemplos citados estão a aprovação do projeto de lei de abuso de autoridade (PLS 85/2017) e da anistia para crimes de caixa dois, nas chamadas “10 medidas contra a corrupção”. Assim, apontou Raquel, os indícios mostram “de forma indubitável, que a conduta do acusado, que procurou de todas as formas ao seu alcance livrar a si mesmo e a seus colegas das investigações, não cuidou de legítimo exercício da atividade parlamentar. Ao contrário, o senador vilipendiou de forma decisiva o escopo de um mandato eletivo e não poupou esforços para, valendo-se do cargo público, atingir seus objetivos espúrios”.
Apesar de todos os indícios, o senador tucano ainda não era considerado réu, o que impedia o prosseguimento das investigações. Agora, a resposta depende da Primeira Turma do Supremo, formada pelos ministros Marco Aurélio Mello (relator), Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Rosa Weber, que colocaram o caso na agenda de julgamento para a próxima terça-feira (17).

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